4 de jan. de 2010

VIVENDO EDUCAÇÃO
EDIÇÃO 01
JANEIRO 2010

FALA EDUCAÇÃO

O VALOR DADO A EDUCAÇÃO


O que poderíamos dizer do valor dado a Educação? Creio que a pergunta inicial deveria ser: a partir de quem devemos olhar a Educação para, aí sim, analisar o valor dado a mesma?

Educação é algo que deve ser vivenciado a cada dia; logo, respostas e soluções prontas não existem, pois a Educação, por si só, já é uma diversidade; como a mesma é contemplada no âmbito humano - também um campo abrangente e diverso - o que podemos esperar são experiências, questões a serem respondidas, sem a mesma resposta, todos os dias.

Mas além da vivência, precisamos também discutir Educação para, aí, propormos planos e metas para a prática educacional. E isso é o que muitos educadores não estão dispostos a fazer.

Congressos, reuniões pedagógicas ou, até mesmo, uma entrevista na TV e/ou um tempo para a reflexão de sua própria prática são pontos importantes para o avanço do ensino-aprendizagem no Brasil e no mundo. A leitura de artigos, teorias de diversos educadores, a atualização através dos grandes meios de comunicação existentes, tudo isso é requisito básico e fundamental para o educador. Tudo a nossa volta é Educação, e a união de teoria e prática é indispensável.

O que temos visto através de jornais e revistas, através da TV e do rádio, em certa medida, não é o que estamos discutindo aqui, através dessas palavras. Infelizmente, muitos não veem a Educação com bons olhos, mas, ainda sim, estão inseridos nela, como professores, pedagogos, psicólogos, ou, até mesmo, teóricos da Educação. O que devemos fazer diante de tudo isso? Desanimar? Desistir? Não recomendar a vocação de educador a qualquer que esteja com essa ideia? Nada disso! O que precisamos é agir. Educação e ação caminham juntas. Ainda que sejamos anônimos ou cidadãos mal vistos e mal quistos na sociedade, que não percamos de vista esse referencial de vocação e vida que é a Educação, Educação essa para além da sala de aula, Educação que une nações, transforma pessoas, realiza sonhos, cria atitudes. Enfim, a primeira ação para a realização - política, social, cultural, ética e moral - de tudo quanto desejarmos.

Priscila Buares


REFLEXÃO...


"Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes".

Paulo Freire
ESCREVIVER...

POEMA DE SETE FACES

Carlos Drummond de Andrade


Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus,
pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

http://www.4shared.com/file/187699247/8a11db47/ESCREVIVER_EDIAO_01_-_JANEIRO.html

"O MEU CANTO..."

COMO NOSSOS PAIS
Elis Regina


Não quero lhe falar, meu grande amor,
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo o que aconteceu comigo
Viver é melhor que sonhar
Eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto
é menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado meu bem
Há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós
Que somos jovens
Para abraçar seu irmão
e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz
Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantada
como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
pois vejo vir vindo no vento
Cheiro de nova estação
Eu sinto tudo na ferida viva do meu coração
Já faz tempo eu vi você na rua
Cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança
é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito tudo o que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais
Nossos ídolos ainda são os mesmos
e as aparências não enganam, não
Você diz que depois deles
Não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que eu tô por fora
Ou então que eu tô inventando
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem me deu a ideia
de uma nova consciência e juventude
tá em casa guardado por Deus
Contando vil metal
Minha dor é perceber
Que apesar de termos feito tudo, tudo,
tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmo e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais


Letra:http://www.4shared.com/file/187700415/a6a1ccc2/O_MEU_CANTO_-_EDIAO_01_-_JANEI.html

MP3:http://www.4shared.com/file/188340094/862f4abf/Elis_Regina_-_Como_Nossos_Pais.html

A VIDA EM CENA

ALEIJADINHO (ANTÔNIO FRANCISCO DA COSTA LISBOA)

29/08/1730, Vila Rica (atual Ouro Preto), MG
18/11/1814, Mariana, MG


Antônio Francisco da Costa Lisboa era filho de Manoel Francisco Lisboa e de uma escrava que se chamava Isabel (embora nenhum documento o comprove), e sobrinho de Antônio Francisco Pombal, afamado entalhador de Vila Rica. A data oficial de seu nascimento é 29 de agosto de 1730, mas também não há certeza quanto a isso.
De educação escolar primária, iniciou seu trabalho como escultor e entalhador ainda criança, seguindo os passos do pai e trabalhando na oficina do tio. Seu aprimoramento profissional veio de seus contatos com o abridor de cunhos e desenhista João Gomes Batista e o escultor e entalhador José Coelho de Noronha, portugueses com oficinas em Vila Rica e responsáveis por muitas obras em igrejas da região.
Mesmo que tenha sido um dos maiores artistas do Brasil, restam apenas fragmentos biográficos da vida do Aleijadinho, a maioria deles envolta em lendas. Sua primeira biografia "Traços biográficos relativos ao finado Antônio Francisco Lisboa", escrita apenas 44 dias depois de sua morte, por Rodrigo Bretãs, é repleta de exageros, mostrando um artista que seria "dado aos vinhos, às mulheres e aos folguedos".
Aos 40 anos de idade, Antônio Francisco Lisboa foi atacado por uma doença que o deixou gravemente deformado. Existem apenas hipóteses sobre a terrível enfermidade. Em 1929, o médico Renê Laclette optou por "lepra nervosa" como diagnóstico "menos improvável", visto que no quadro clínico do escultor se encontravam também sintomas específicos do mal de Hansen. Outra hipótese citada com frequência é a da zamparina (doença advinda de um surto gripal que irrompeu no Rio em 1780, responsável por alterações no sistema nervoso). As demais especulações, citadas em mais de 30 estudos, incluem escorbuto, encefalite e sífilis.
O fato é que, aos poucos, o Aleijadinho foi perdendo o vigor físico, o que não o impossibilitou de trabalhar. Conta-se que ao perder os dedos dos pés ele passou a andar de joelhos, protegendo-os com dispositivos de couro, ou a se fazer carregar. E ao perder os dedos das mãos, passou a esculpir com o cinzel e o martelo amarrados aos punhos. Em fins de 1777, o escultor já perdera os dedos dos pés, "do que resultou não poder andar senão de joelhos", e os dedos das mãos se atrofiaram de tal forma que o artista teria decidido cortá-los, servindo-se do formão com que trabalhava. Também perdeu quase todos os dentes, a boca entortou-se, o queixo e o lábio inferior abateram-se e o olhar adquiriu uma expressão sinistra que o deixou com um aspecto medonho.
O Aleijadinho passou a evitar o contato público: ia para o trabalho de madrugada e só voltava para casa com a noite alta. "Ia sempre a cavalo, embuçado em ampla capa, chapéu desabado, fugindo a encontros e saudações", escreveu o poeta Manuel Bandeira. No próprio local da obra, ficava coberto por uma espécie de tenda. Diz a lenda que, depois de ser chamado de "homem feio", por José Romão, ajudante-de-ordens do governador Bernardo Lorena, o artista se vingou esculpindo uma estátua de são Jorge com a cara "bestificada" de seu desafeto.
A doença dividiu em duas fases nítidas a obra de Aleijadinho. A fase sã, de Ouro Preto, se caracteriza pela serenidade equilibrada. Na fase do enfermo, surge um sentimento mais gótico e expressionista. O ressentimento tomou a expressão de revolta social contra a exploração da metrópole. As figuras de "brancos", "senhores", e "capitães romanos" são deformadas.
Suas obras mais famosas são o conjunto do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, um patrimônio histórico e artístico com 66 imagens esculpidas em madeira de cedro (1796-1799) e os 12 majestosos profetas em pedra-sabão (1800-1805). Suas esculturas desviam-se do estilo barroco português, ganhando características muito pessoais, com alguma influência bizantina e gótica.
Os trabalhos do Aleijadinho podem ser vistos em Ouro Preto, Congonhas do Campo, Sabará e outras cidades mineiras. Observando-se os traços, as expressões das esculturas, é impossível evitar o sentimento de emoção e respeito que elas despertam. O esplendor e o requinte, as sutilezas e a suntuosidade das dezenas de estátuas, pias batismais, púlpitos, brasões, portais, fontes e crucifixos revelam que o Brasil teve um escultor e arquiteto de primeira grandeza nos tempos coloniais.



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Continuando com a sabedoria do grande educador Paulo Freire, disponibilizamos para download uma apresentação em PowerPoint da história "A canoa". Uma bela aplicação para refletirmos ainda mais sobre nossa frase de reflexão do mês.
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